segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Novelas e afins...

Os anos 70 e 80 ficaram e marcaram a nossa forma de ser e de estar pela música, pelos filmes, pelo colorido da moda, pela boa disposição de grandes peças de teatro, e pela vida que levei numa pequena vila da Beira Baixa de onde sairam grandes talentos da nossa sociedade cultural.

Os anos 80 deixam-me saudades, recordo-os por tudo e por nada: por algum perfume que me transporta no tempo, por uma musica ouvida na renascença, por um prato de culinária que só a minha avó (já falecida) fazia, uma voz mais elevada ou enfurecida que me lembra os ralhetes que a minha mãe (já falecida) me dava devido à minha irreverência, enfim... e as porradas verbais que levava por ver as novelas, mas isso dava um livro, acreditem... eu apaixonei-me aos 7 anos pela "Gabriela Cravo e Canela" e segui todos os episódios apesar dos meus pais não quererem, mas era a única que dava, tinha um valor diferente do que se vê agora. Eram 20/30 minutos a seguir aos 20/30 minutos das noticias do dia, no único canal de televisão de que dispunha. Era fantástico ver uma mulata bonita, irreverente e descalça (eu identificava-me muito embora seja caucasiana).
A partir daí vi todas. Todas contribuiram para a formação de alguns traços que me são caracteristicos (saliento que eramos um país fechado, num pós ditadura onde no interior do país não chegava ainda a cultura. Não havia acesso a conversas de foro sexual com ninguém, a mentalidade muito conservadora, fazia de nós, crianças, exploradores natos de outros valores - os meus pais foram emigrantes e eram mais "open minded".

Lembro com grande saudade a Escrava Isaura com Lucélia Santos, à hora do almoço, a Ciranda de Pedra com Eva Wilma no papel de suposta louca, O pai herói com Toni Ramos, O Astro com Francisco Cuoco, a Tieta do Agreste com Betty Faria, Água Viva com Reginaldo Faria, Guerra dos Sexos com Paul Autran, Roque Santeiro com Duarte Lima e Débora Duarte e etc... etc... seria uma lista interminável.... mas hà bem pouco tempo fiquei muito marcada pela novela "O Clone" - foi sem dúvida a que mais me fez pensar na realidade das mulheres muçulmanas e na condição humana.

Ver novelas é saudável, mas apenas seguir uma ou duas... mais que isso é vício e como qualquer vicio... é mau! São uma distracção e não uma obrigação. Hoje em dia tudo é mais banalizado e perdem-se valores de quem só nos finais de 70 e inicios de 80 viveu essa realidade social.

Como é bom recordar tempos tão maravilhosos, como diria António Mourão "oh tempo, volta p'ra trás, traz-me tudo o que eu perdi..."

Sem comentários:

Aahhh.... bons velhos anos 80

E se pudesse voltar atrás, a que ano da sua vida voltaria?
Qual foi o ano que mais o marcou? Porquê?
Fale, desabafe, comente... eu prometo responder e apoiar.


Mesmo que haja música de anos mais actuais o que importa é ouvir música!

Os anos 80 foram importantes para si?